
Strass,
lantejoulas, soirées VIP, restaurantes de luxo,
vendas privadas: no livro Blonde Attitude, Plum Sykes
descreve com humor e pertinência o quotidiano daquelas
que são carinhosamente apelidadas de princesas
de Park Avenue. São loiras, magras, ricas, célebres
e procuram, na sua maioria, o MP perfeito (leia-se Marido
Potencial). Lançado no ano passado no outro lado
do Atlântico, este livro vendeu 250 mil exemplares.
Na linha de O Diabo Veste Prada (Editorial Presença)
e Loira de Luxo (Oficina do Livro), faz-nos mergulhar
nos bastidores dourados da Grande Maçã.
Os fãs de Carrie Bradshaw cruzam os dedos, pois
fala-se em adaptar o romance ao pequeno ecrã. O
fenómeno Sexo e a Cidade terá, finalmente,
encontrado um sucessor digno desse nome?
Quem são
As irmãs Hilton (herdeiras dos hotéis Hilton),
Aerin Lauder (herdeira do império Estée
Lauder e vice-presidente da empresa), Aileen Getty (terceira
geração do império Getty, casada
com Christopher Wilding, filho de Elizabeth Taylor), Amanda
Hearts… Na sua maioria, ricas herdeiras residentes
em Park Avenue. Loiras, magras, ultraglamourosas: são
todas parecidas umas com as outras e todas as notáveis
de Nova Iorque querem parecer-se com elas. O ícone,
a suprema referência na matéria é
a falecida Carolyn Bessette Kennedy, também conhecida
por CBK. De boas famílias, com uma classe natural
extraordinária, um marido supercanónico
e – cereja no bolo – uma quantidade astronómica
de casacos de peles assinados por Michael Kors: um exemplo
a seguir de olhos fechados. Além disso, as nossas
jet-setters estão no topo do in, ostentam “o
acessório obrigatório” uma estação
antes de toda a gente, frequentam os restaurantes mais
cotados da cidade e estão em todas as revistas
de sociedade.
O seu nome de código
Chamam-lhes BB. Não tem nada a ver com Brigitte
Bardot. Trata-se das iniciais de Bergdorf Blondes, isto
é, “loiras Bergdorf”. Porquê
esta alcunha? Porque a loja de luxo Bergdorf Goodman é
o seu quartel-general e porque Ariette, a única
colorista que encontrou o loiro perfeito (não o
de Courtney Love, mas o de CBK, ou seja, um amarelo pálido
quase branco), trabalha no salão Bergdorf. As nossas
princesinhas só confiam nela, a maga das madeixas.
Algumas estão dispostas a esperar três meses
por uma marcação. Os seus preços?
Mechas, 450 dólares... a renovar todos os 13 dias
(e não 14, eis o segredo).
Pequeno léxico da loira Bergdorf
A última moda é dizer apenas as iniciais
das palavras-chave de uma frase: “Sou uma BB à
procura de um MP ou de um AN que tenha um JP e seja um
grande ADG.” Tradução: “Sou
uma loira Bergdorf à procura de um marido potencial
ou de um aprendiz de nababo que tenha um jacto particular
e seja um grande amigo do George [W. Bush].”
Além disso, saiba que:
– um wollman é um diamante do tamanho do
ringue de patinagem de Central Park;
– “louco” é o adjectivo da moda
para significar genial, fantástico (exemplo: “Querida,
que corte de cabelo louco!”);
– “yeurkk” se pronuncia de cinco em
cinco segundos, em sinal de repugnância (exemplo:
“Pintar o cabelo de castanho? Yeurkk, nem pensar!”);
– “Estás no Arizona?” é
um eufemismo para perguntar a alguém se está
a fazer uma cura de desintoxicação;
– os “lamas de Madison” são as
sul-americanas que calcorreiam Madison Avenue de poncho
e colar de pérolas.
As suas marcas fétiche
São muitas: Versace (para os lenços), Pucci
(para tudo), Chanel e Hermès (para as carteiras),
Sergio Rossi e Manolo Blahnik (para os sapatos), Malo
(para as camisolas de caxemira de seis fios), Rick Owens
(para os vestidos com efeito froissé), Alexander
McQueen (para os casacos de cabedal), Givenchy Couture
(para os smoking brancos forrados com renda de Chantilly),
Marc Jacobs (para tudo), Chloé (para os célebres
jeans). Expliquemos de passagem que toda a BB digna desse
nome possui em média uma dezena de cartões
de desconto e beneficia assim de 30 por cento de redução
nas lojas mais elegantes de Park Avenue. O jogo mais em
voga é trocá-los.
O que fazem
Em termos profissionais e, salvo honrosas excepções,
como Aerin Lauder ou Paris Hilton, que depois de muitas
festas está agora disposta a multiplicar o dinheiro
do avô e dos pais… não fazem nada.
No entanto, são ultra-ocupadas e têm sempre
a agenda preenchida: galas de beneficência, desfiles
de moda, vernissages, sessões de compras na Madison,
baby showers (pequena festa que consiste em oferecer artigos
para bebé a uma futura mãe, antes do nascimento...
vá-se lá perceber porquê) e, sobretudo,
vendas privadas. Uma verdadeira BB vive para as vendas
pri- vadas. Receber o famoso cartãozinho anunciando
o auspicioso acontecimento provoca-lhes infalivelmente
uma subida de adrenalina. Tente imaginar o sonho: comprar
a última carteira Chanel acolchoada por 150 dólares
em vez de 2 mil!
Uma grande depressão
Qualifiquemos desde já a depressão: uma
unha partida, uma sessão com a colorista Ariette
no salão de cabeleireiro Bergdorf desmarcada ou,
pior ainda, um repentino aumento de peso (em Manhattan,
ninguém é rico nem anoréctico de
mais). Que horror! Para reencontrarem o sorriso, as BB
têm de recorrer a medidas extremas: um tratamento
para recuperação da forma em Paris. As clínicas:
o Ritz (para o roupão bordado a fio dourado), Hermès
(para tudo), Lapérouse (para a tarte Tatin flambeada),
Colette (para o stock Marc Jacobs). Não há
tempo para ir a Paris? É preciso um revigorante
rápido? Esqueça o psicólogo, elas
descobriram uma coisa bem melhor: o dermatologista! Para
além de ouvir, faz milagres à pele. Para
recuperarem o seu capital de confiança, não
há nada que se lhe compare. O que se pode pedir
mais? Que o dermatologista seja solteiro, talvez...
O que as faz correr
Os jeans Chloé a 325 dólares. Parece que
investir nestas gangas é o caminho mais curto para
a felicidade. A fim de atingirem o nirvana, algumas possuem
mais de 20. O seu corte será uma verdadeira dádiva
divina para o traseiro. Em suma, é um must. Ou
por outra, era. O novo acessório que faz correr
as BB é nada mais nada menos que... o noivo! Meteu-se-lhes
na cabeça que o anel de noivado produz uma tez
deslumbrante. A busca do MP perfeito tornou-se, portanto,
uma ocupação a tempo inteiro. Este deve
parecer-se com Jude Law, ter a carteira de Donald Trump
e o humor de Jim Carrey. O mesmo é dizer que a
tarefa não é fácil. Por falar em
carteiras, outra mania das BB é que os homens e
as carteiras têm múltiplos pontos comuns:
listas de espera para os mais cobiçados (os homens
bonitos e as Birkin de crocodilo) e, se uma delas tiver
a infelicidade de arranjar um muito sexy, a sua melhor
amiga não tardará a roubar--lho de mansinho...
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